Descartada a privatização dos Correios pelo governo, sem o apoio do Congresso

Ao que tudo indica, a proposta de privatização dos Correios tem tudo para acabar engavetada. Isso porque, mesmo tendo sido aprovada na Câmara dos Deputados, no dia 5 de agosto deste ano, a proposta enfrenta muita resistência por parte do Senado Federal.

O relatório foi lido no plenário da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no dia 9 de novembro e encontra-se parado desde então. A tendência é que mesmo em 2022 a privatização não aconteça. O governo decidiu dar prioridade a outros projetos.

Privatização dos Correios vetada em 2022: entenda os bastidores

A projeção do governo é que não vai dar tempo de votar o PL em 2022. Normalmente, os membros do Congresso preferem não se dedicar a assuntos polêmicos em ano de eleição. Para o relator do projeto no Senado, o senador Márcio Bittar (PSL-AC), a dificuldade na tramitação deve-se, entre outras coisas, a “politicagem”.

Descartada a privatização dos Correios pelo governo, sem o apoio do Congresso (1)
Fonte/Reprodução: original

Em entrevista ao portal Metrópoles, ele disse que é normal que haja desencontros de ideias quanto ao entendimento sobre o processo de privatizações de estatais, e que isso se deve a questões partidárias e também a convicções particulares de cada um. Mas enfatizou que a aprovação da proposta é fundamental para a retomada econômica do Brasil após a pandemia.

Nesse cenário de resistência nos bastidores, o governo resolveu dar foco em outros projetos, como a votação, na mesma casa, da PEC dos Precatórios, que deverá servir de base para o programa Auxílio Brasil.

Custo benefício dos Correios: mesmo lucrando, vale a pena privatizar ou não

Responder essa questão envolve os posicionamentos políticos e a concepção econômica de cada um. Então, o que podemos fazer para entender esse tema de maneira mais objetiva, é olharmos para os números.

Nos últimos 20 anos os Correios lucraram cerca de 20 bilhões de reais e 73% deste valor foi repassado ao Governo Federal. No recorte temporal que vai de 2001 a 2020, a empresa registrou lucro em 16 anos e prejuízo em quatro. Ela acumula resultado positivo de 12,4 bilhões de reais em valores líquidos.

Outra informação importante é que a empresa não depende do Tesouro, ou seja, não precisa ser assistida frequentemente com o dinheiro público, já que, com seus próprios lucros, é capaz de se manter sozinha.

O que dizem especialistas sobre a privatização dos Correios?

Existem divergências por parte dos especialistas sobre se vale a pena ou não seguir à privatização. Alguns afirmam que, apesar dos lucros, o objetivo principal do governo tem que ser investir em áreas cruciais para o desenvolvimento social e não apenas lucrar. Além disso, há quem diga que a desestatização da empresa vai trazer melhorias no serviço prestado.

Por outro lado, tem também quem é contra a ideia da venda dos Correios sob o argumento de que vender empresas lucrativas nada mais é do que fazer caixa, ou seja, angariar dinheiro (o que interessa apenas quem está no poder). Além disso, não existem provas de que isso vai diminuir a dívida pública e que vai gerar bons resultados no futuro.

O certo é que a proposta está parada e tem tudo para não ser acionada em 2022. Por ter eleição presidencial, o próximo ano vai ser muito importante para a tramitação ou não do projeto pois, dependendo de quem ganhar, a proposição segue seu rumo ou simplesmente é engavetada.

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